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WEBABRE1137Não houve mesa decorada com flores. Nem o cerimonial solicitando aos presentes para desligar os celulares. Não havia nem plateia. O Festival do Conhecimento da UFRJ começou de forma bem diferente das tradicionais solenidades universitárias. Em vídeo gravado num esvaziado auditório do Theatro Municipal, somente a reitora Denise Pires de Carvalho e o vice reitor Carlos Frederico Leão Rocha fizeram uma saudação ao evento. E explicaram a simbologia do cenário, que seria usado para a celebração dos 100 anos da UFRJ, em setembro. “Pretendíamos fazer aqui uma comemoração. Isso não será possível por conta da pandemia”, explicou o professor. “Mas vai acontecer o Festival do Conhecimento. Pois a UFRJ continua a produzir e transmitir conhecimento”, completou. A afirmação não poderia ser mais verdadeira. Desde o dia 14, a instituição transferiu toda sua pujança cultural e científica para a web em dezenas de debates e shows. Acolhedora, a universidade também recebeu convidados ilustres, entre cientistas, ex-ministros e artistas, como a diva Elza Soares. E não acabou: a extensa programação prossegue até 24 de julho. A UFRJ vive!

CONHECIMENTO SE CONQUISTA COM MAIS AUTONOMIA

Preservar a autonomia, incluir mais alunos, garantir orçamento adequado e, na pandemia, fazer o melhor ensino remoto possível. A discussão dos desafios que a universidade pública brasileira precisa superar na atualidade abriu o Festival do Conhecimento da UFRJ , no dia 14.
“Somos conhecimento, solidariedade e presença. Nós não somos uma soma de salas de aula que oferece diplomas. Não somos também uma soma de laboratórios que produzem resultados”, afirmou o professor João Carlos Salles, presidente da associação nacional dos reitores (Andifes) e um dos convidados especiais da solenidade.
Reitor da Federal da Bahia, João Carlos enfatizou que a Academia está sendo atacada por incomodar práticas autoritárias. “Isso é evidente. A universidade tem histórico de luta por liberdades democráticas”.
“Mas temos desafios internos também”. O reitor chamou atenção para a necessidade de reinvenção das aulas no momento em que as atividades presenciais não são possíveis. Lembrou a necessidade de inclusão dos estudantes e de capacitação dos docentes. “Esse debate deve ser feito com transparência e responsabilidade”, disse. “Nossa continuidade de ações não pode ser feita de forma acrítica”, completou.

LEGISLAÇÃO
Reitor da Universidade Federal de Goiás e vice-presidente da Andifes, o professor Edward Madureira Brasil participou do encontro e comparou a situação de hoje com a de tempos não tão distantes assim. Edward registrou que, no  período entre 2006 e 2014, quando  também dirigiu a UFG, políticas públicas acertadas ampliaram o sistema de educação superior. “Somos uma geração de reitores marcada por este retrocesso e pela pandemia”, lamentou.
Para retornar àquele patamar, o reitor entende que alguns obstáculos da legislação devem ser removidos. “Se temos uma meta a perseguir, é conseguir mais autonomia para as universidades”, disse, diante dos recentes ataques, como a medida provisória nº 979. A normativa permitia ao governo Bolsonaro intervir nas reitorias.
O docente considera a Emenda Constitucional 95, do teto de gastos, como a norma mais nociva para o pleno desenvolvimento das universidades. Edward argumentou que a medida “revogou” o Plano Nacional de Educação ao congelar os investimentos do setor.
A atual ausência de um projeto de nação, reforçou a reitora Denise Pires de Carvalho, já tem como consequência a “evasão de cérebros”. “Não há saída para o Brasil se a Emenda Constitucional 95 continuar vigente”, afirmou, em referência à falta de investimentos em pesquisa e concursos públicos.
 O vice-reitor da UFRJ, professor Carlos Frederico Leão Rocha, destacou o desafio de promover a inclusão digital dos alunos da universidade até o início das aulas remotas, em 10 de agosto. “É fundamental garantir esse acesso”.

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