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 02aWEB menor1136Nesta quinta-feira (dia 09/07), o Conselho Universitário da UFRJ sacramentou um grande passo institucional para voltarmos às atividades didáticas: temos um calendário para o chamado período letivo excepcional (PLE), que começará no dia 10 de agosto e terminará em 31 de outubro. Apesar disso – e sem tirar os méritos dos envolvidos –, é necessário salientar que ainda pairam muitas dúvidas sobre como funcionará o PLE e o ensino remoto como um todo.
Tivemos a suspensão indefinida do primeiro período de 2020 – 2020/1 – no final de março, quando se tornou evidente que o quadro pandêmico que o Brasil enfrentaria seria tenebroso. Isso não quer dizer que 2020/1 foi um período vazio (houve diversas formaturas, defesas de dissertações e teses etc), mas as atividades didáticas foram, em sua enorme maioria, paralisadas. O PLE vem, em princípio, para que se possa oferecer cursos remotos com um regramento próprio, e viabilizar o máximo possível daquilo que foi iniciado em 2020/1. Estaria tudo ótimo, se não fosse um pequeno problema: o período de 2020/1 ainda está suspenso, e continuará assim durante o período emergencial. Isso está gerando um “burburinho” de que 2020/1 possa ser retomado em novembro, após o PLE, de forma que este seria apenas um período “café com leite”. É necessário conter tais incertezas o quanto antes: se, dentro de todas as suas especificidades, o PLE deve ser caracterizado como um período “de verdade” – como defendemos que deve ser –, é mister que isso fique claro para toda a comunidade.
Esses meandros burocráticos são, no entanto, apenas a proverbial ponta do iceberg. Para a maioria de nós que nunca esteve sistematicamente envolvida com educação a distância, a adaptação (mesmo que provisória) será lenta, dolorosa e imperfeita. Já abundam nas nossas conversas as histórias das horas perdidas para se gravar poucos minutos de conteúdo, das batalhas no manejo de plataformas pouco amigáveis, ou mesmo do constrangimento de falar para “uma tela”. Nas próximas semanas, tais relatos provavelmente irão aumentar em frequência e intensidade, infelizmente. Somem-se a isso os obstáculos que os estudantes também terão de superar para participar de forma ativa no PLE, e temos um caldo de difícil paladar. Nada disso é motivo para desistirmos da nossa missão mais importante perante a sociedade, mas é importante termos plena consciência dos desafios que virão, para calibrarmos as expectativas de docentes e discentes.
Moral da história: não será nada fácil. Mas não temos alternativa, pois a paralisia das atividades didáticas é a mais excludente das posturas. Não podemos esperar o perfeito para que algo seja feito. Diante de uma pandemia mesclada com um governo atroz, fazemos o nosso melhor e vivemos um dia após o outro.

Diretoria da AdUFRJ

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