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WhatsApp Image 2020 07 03 at 12.06.05“Aquele texto chamado de “acadêmico excessivo”, que ninguém entende, é o anticonhecimento. Ele cria barreiras de acesso ao conhecimento que está sendo produzido, e a escrita precisa ser exatamente o contrário disso”, afirmou a presidente da AdUFRJ, Eleonora Ziller, em uma live promovida no dia 2 de julho. A conversa sobre “O desafio da escrita entre orientadores e orientados” contou também com a professora Dani Balbi, orientada pela professora Eleonora no seu doutorado em Ciências da Literatura, na Faculdade de Letras.
A relação das duas docentes, enquanto orientadora e orientada, foi o pontapé inicial do debate. “Às vezes, você tem uma paixão tão grande pelo objeto que o seu orientando está produzindo que você acaba querendo dar a ele uma determinação que é sua, e não uma construção autônoma desse estudante”, disse Eleonora. Segundo Dani Balbi, a relação entre as duas foge do que é o padrão na universidade. “O papel que ela cumpria não era só de uma revisão, mas sim da minha demanda muito direta por referências”, declarou.
A presidente da AdUFRJ realçou a importância da lida entre as partes. “A base universal do respeito pelo trabalho de cada um deve ser configurada como o principal elemento da relação entre orientando e orientador”, pontuou. As convidadas destacaram também o reflexo deste relacionamento na pesquisa realizada. “Se existe uma competição que ultrapassa limites, aí o trabalho não é produtivo, e afeta demais a saúde dos envolvidos”, afirmou Dani, que hoje já vivencia o lugar de orientadora como professora da Escola de Comunicação da UFRJ.
O debate mediado por Luana Bulcão, da Associação de Pós-Graduandos da UFRJ, enfatizou as complexidades da vida acadêmica. “Enquanto orientadora eu procuro ser muito respeitosa: Como eu posso contribuir para esse trabalho sem descaracterizá-lo, sem desmerecer aquela reflexão, aquele objeto, aquele caminho?”, indagou Dani. “O trabalho de escrita é duro. Não que ele precise ser torturante, mas exige tempo, energia e muito estudo”, completou.
A estrutura da pós-graduação, segundo Eleonora, também implica em um prejuízo para a escrita acadêmica. Ela acredita que a duração do mestrado gera fragilidades na tese que poderiam ser evitadas. “É um trabalho intelectual que acaba funcionando para atender prazos, e não pra responder a problemas essenciais que a pesquisa havia colocado”, criticou.

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