WEBconselhoFoto: Fernando SouzaCampanha de sindicalização, cartilha sobre progressões, visitas às unidades, integração com o centenário da UFRJ e um grande evento da universidade de portas abertas à população. A última reunião do Conselho de Representantes da AdUFRJ esboçou algumas propostas para o reinício dos trabalhos do sindicato em 2020. O encontro foi realizado no Centro de Tecnologia, no dia 16.
“O ano que vem será de muitos embates. E a ideia desse conselho era avaliar o que fazer. Foi uma reunião muito boa. No final, as falas de cada um foram dando corpo aos nossos desejos e histórias”, afirmou a presidente da AdUFRJ, professora Eleonora Ziller. “Tivemos um ano bastante difícil. Pela primeira vez, um titular do Ministério da Educação teve como meta e método atacar, desmoralizar e mentir sobre a universidade. Mas, ao mesmo tempo, a universidade lutou bravamente. E sobrevivemos”.
O foco na mobilização dos professores, para fazer frente ao estrangulamento financeiro da universidade e às perdas de direitos, foi ponto pacífico entre os conselheiros e diretores. Assim como buscar mais integração com a sociedade: levar a produção de conhecimento da instituição às ruas, com um UFRJ na Praça, ou o oposto, trazer a comunidade externa para uma grande atividade na Cidade Universitária foram algumas das proposições apresentadas. O simbolismo do centenário da UFRJ, celebrado ano que vem, deve ser aproveitado nestas atividades.
“Abrir mais a universidade é fundamental. Eu tenho trinta anos de UFRJ, acho que todos nós sentimos orgulho e desejo de comemorar essa história”, avaliou a professora Celina Figueiredo (Coppe). “Os cem anos podem ser um catalisador. Inclusive para ações conjuntas com o Sintufrj e a reitoria”, concordou o diretor da AdUFRJ, Felipe Rosa.
O cenário indefinido para a Educação, no próximo ano, preocupa os docentes. A professora Cláudia Piccinini, da Faculdade de Educação, desconfia da desidratação do projeto do governo para as universidades, o Future-se. Ela apontou o acirramento dos mecanismos de controle expresso, por exemplo, na recriação da comissão que discute o projeto Escola Sem Partido na Câmara. Outros avaliaram que os ataques ao funcionalismo federal, exemplificado no pacote da reforma administrativa e três Propostas de Emenda Constitucional (PEC) do ministro da Economia, Paulo Guedes, serão o pior desafio.
A divergência no Conselho foi quanto às formas de luta que os docentes devem utilizar em 2020. “Se todos concordam que a situação da Educação, com esse governo, é gravíssima, por que a diretoria é contra o estado de greve?”, questionou Herli de Menezes, da Faculdade de Educação, em referência à votação do estado de greve proposto pelo Andes na assembleia de 27 de novembro – e rejeitado por 34 votos a 28. “Temos acordo no diagnóstico. E desacordo sobre o que fazer. Um estado de greve agora seria precoce”, se contrapôs Antonio Solé, do Instituto de Biologia. A diretoria da AdUFRJ esclareceu que não tinha posição fechada contra o estado de greve.
Promover uma campanha para conseguir novas filiações para o sindicato também faz parte dos planos para 2020. Uma das possibilidades para ampliar o quadro de sindicalizados será durante a realização de reuniões itinerantes nas unidades, com mediação do próprio Conselho. Na sequência do reinício das aulas, será organizado um calendário de ações locais. A diretoria anunciou que também pretende realizar uma nova eleição para preencher mais vagas no Conselho de Representantes.
Alguns conselheiros apontaram ainda a necessidade de um debate sobre o Projeto Viva UFRJ e por mais discussão das condições de trabalho na universidade.

PROGRESSÕES
Antes do início do ano letivo, os docentes darão uma atenção especial à questão das progressões múltiplas. Uma comissão de professores organizará uma cartilha, orientando os colegas com pendências.
O acordo pactuado entre a reitoria, a Comissão Permanente de Pessoal Docente (CPPD) e a AdUFRJ prevê a substituição dos pedidos de progressões múltiplas – proibidos pelo Ministério da Economia e pela AGU – por pedidos de progressões de modo consecutivo. “O fundamental é que os processos sejam distintos”, explicou o diretor Felipe Rosa.

PRÓXIMO CONSELHO
O próximo encontro do Conselho já está marcado. “A tarefa mais importante é que, no próximo Conselho do dia 17 de março, possamos ouvir melhor o que vem das unidades no sentido do que poderá ser feito para a grande mobilização de que precisamos em defesa da universidade”, avaliou Eleonora Ziller.
Ao final da reunião, os professores participaram de um almoço de confraternização de fim de ano, na sede da AdUFRJ.

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