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WhatsApp Image 2021 02 11 at 21.10.47“As tarefas são de grande monta, precisamos de todos para resistir ao que está por vir, como a reforma administrativa, que está na ordem do dia”. Com essa convocação, a presidente da AdUFRJ, professora Eleonora Ziller, abriu a primeira reunião do Conselho de Representantes de 2021, na terça-feira (9). O encontro foi remoto. Eleonora destacou que a tarefa principal, neste momento, é a mobilização dos professores para as carreatas que vão acontecer por todo o país, no dia 21, em defesa da vacinação para todos e pelo impeachment de Bolsonaro.
A professora Norma Menezes, da Escola de Belas Artes, chamou atenção para a gravidade do momento político que o país atravessa. Ela estuda movimentos autoritários e vê com preocupação a situação do Brasil e as disputas dentro do campo progressista. “Estive em 2019 na Universidade de Boğaziçi (Turquia). Nossos colegas hoje estão presos ou mortos. Eu acompanhei o que aconteceu lá e nós estamos só alguns aninhos atrasados nesse processo”, afirmou. “Nós temos muito pouco tempo. Vamos tentar imprimir nas nossas divergências esse poder do diálogo. Nossas diferenças são muito pequenas diante do que nos aguarda”.
Um dos passos para alcançar a unidade é ampliar a participação e a organização dos docentes. Por isso, a diretoria propôs realizar novas eleições para o Conselho de Representantes, para completar a representação das unidades. O mandato desses novos conselheiros duraria até setembro, quando vão acontecer as eleições para a gestão 2021-2023. “Queremos ampliar a participação, chamar mais pessoas para que nos ajudem na condução das lutas deste ano, que são muitas”, justificou Eleonora. A ideia era fazer um processo eleitoral mais simples, com indicação dos candidatos em reuniões das unidades que quisessem compor o conselho.
A professora Luciana Boiteux, da Faculdade de Direito, ponderou: “Do ponto de vista jurídico, eu acho complicado criar uma exceção, em especial neste cenário em que estamos vivendo”, disse. “Se for o caso, (sugiro) pedir um parecer jurídico”, disse. Já a professora Cleusa Santos, do Serviço Social, lembrou que talvez não valesse a pena formalizar a participação de conselheiros com voz e voto porque essas pessoas seriam impedidas de se reelegerem nas eleições de setembro. “É muito pouco tempo para ‘queimar’ uma representação que poderia durar dois anos”, disse. Ficou acertado que a diretoria vai encaminhar uma proposta para permitir a ampliação das representações. Uma das unidades interessadas é Macaé. Hoje o campus é representado por professores do Nupem, que se tornou um instituto recentemente e, portanto, separado da Cidade Universitária de lá.

Progressões
As questões referentes às progressões múltiplas e à insalubridade seguem dependendo de ações da reitoria. No caso das progressões, a resolução aprovada pelo Consuni trouxe dois problemas: a exigência de dez anos de doutoramento para formação da banca de avaliação da progressão e a paralisação dos processos que já tinham sido abertos antes da resolução e que só chegaram à Comissão Permanente de Pessoal Docente (CPPD) após a publicação do texto. “Nós vamos pedir a revisão desta decisão sobre o doutoramento, porque a regra inviabiliza a progressão em algumas unidades que são mais novas. Na questão dos processos, a AdUFRJ está fazendo um levantamento de casos que já tinham sido iniciados antes da nova resolução, porque ficaram sem regra de transição. Queremos resolver o problema internamente, mas, se houver necessidade, nós vamos judicializar”, afirmou Eleonora.
Em relação à insalubridade, a diretoria ainda aguarda o posicionamento formal da universidade sobre a incapacidade de a Coordenação de Políticas de Saúde do Trabalhador (CPST) avaliar os ambientes insalubres onde os professores atuam. Algumas unidades chegam a ter 30% do corpo docente sem receber o adicional devido, por inteira responsabilidade da UFRJ. “Em dezembro, fizemos uma reunião, apresentamos inclusive uma proposta para solucionar o problema e que não foi acatada. O setor jurídico já está de sobreaviso para trabalhar a partir da resposta que a universidade nos encaminhar”.
Os docentes também tiraram dúvidas sobre o Observatório do Conhecimento. A diretoria esclareceu que se trata de um fórum que reúne 12 associações e seções sindicais, algumas do Andes, outras do Proifes e independentes para elaborar materiais sobre Educação, Ciência e Tecnologia. “Não é uma instância sindical. A ideia é ter um grupo que pense, discuta, paute a imprensa, faça campanhas, ajude a pressionar o Congresso em tudo o que se relaciona às universidades”, esclareceu Eleonora.

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