facebook 19
twitter 19
andes3

 

Diretoria da AdUFRJ (2019-2021)

WhatsApp Image 2020 10 24 at 00.24.11Chegamos a outubro de 2020 com algumas vitórias, mas nada que nos autorize alguma comemoração. O Future-se, versão 1 e 2, continua em alguma gaveta do Congresso. As sucessivas tentativas de cortes salariais do funcionalismo não vingaram, assim como as tentativas de não aprovar o FUNDEB foram rechaçadas. Hoje, uma liminar contém a fúria intervencionista do governo na escolha dos reitores das universidades. Mas esses exemplos apenas servem para nos lembrar que se esse governo não conseguiu fazer tudo o que queria, o estrago que já está fazendo com o desmonte do Estado brasileiro, a desestruturação de áreas estratégicas, a irresponsabilidade sanitária, o horror com a política ambiental é grande o suficiente para termos a certeza que não poderemos descansar tão cedo. O Projeto de Lei Orçamentária – PLOA – que regerá o orçamento de 2021 será desastroso para as universidades. As restrições orçamentárias que estão previstas, aliadas à desastrosa Reforma Administrativa, terão sobre as universidades um efeito tão ou mais devastador do que aquele previsto no malfadado Future-se. Estamos lidando com um governo que nos trata como inimigos, e por isso mesmo, nossa ação em âmbito nacional nunca foi tão importante. Desde que tomamos posse, temos atuado e fortalecido todos os fóruns tradicionais do ANDES, enviamos a maior delegação de nossa história ao congresso da entidade, estivemos nos CONADs convocados virtualmente durante a pandemia, e estamos participando das eleições para a sua diretoria. Mas continuamos a apostar também em novas articulações, que não dispersem forças nem disputem espaços com as entidades representativas, mas que nos ofereçam novas possibilidades de intervenção no debate nacional. Por isso, fortalecemos a atuação do Observatório do Conhecimento, criado em 2018, como espaço de diálogo e convergência de agendas e lutas com outras ADs, junto às entidades científicas, movimentos sociais da educação, frentes parlamentares aliadas. Conseguimos nos inserir em articulações nacionais no Congresso como o recente ato em defesa do orçamento para a Educação e também nas redes, com o tuitaço que marcou o primeiro ano de Weintraub no MEC, em 7 de abril, quando a hashtag criada pelo Observatório “#piorministrodahistoria” foi trending topic no Twitter. Também marcamos presença no 15 de maio virtual, que foi marcado pela vitoriosa pauta do #AdiaEnem, onde realizamos diversas projeções pela cidade.

Para além das pautas tradicionais e enfrentamentos nacionais, e apesar das restrições que a vida virtual nos tem imposto, fizemos um grande esforço para pautarmos questões já nem tão novas, mas que ainda reclamam uma atenção maior de todos nós. Foram os debates que organizamos durante o Festival do Conhecimento, o CineAdUFRJ, as Pílulas Antimonotonia e agora o nosso recém-lançado Café com Ciência e Arte, programa na Rádio UFRJ, que estreiou no dia 16 de outubro. Também fizemos um esforço de aproximação com a SBPC, especialmente na Marcha pela Ciência, #Pactopelavida, no dia 7 de maio, quando a TV AdUFRJ transmitiu toda a programação regional da SBPC.   

Mas nada nos atingiu de forma mais dramática do que a suspensão das atividades presenciais, em especial, as atividades didáticas. Acompanhamos essas discussões em todas as instâncias em que nos foi possível estar, organizamos debates públicos, reuniões plenárias com docentes, assembleia. A implantação do PLE – período letivo excepcional – se deu de forma muito heterogênea, gerando um quadro de disparidades internas muito acentuadas, dificultando enormemente a definição do calendário para os períodos regulares. O ensino remoto, implantado mundialmente com a pandemia, ainda precisará de muita discussão entre nós. Na iniciativa privada, sustentado por poderosos interesses econômicos, tem significado superexploração e precarização das relações de trabalho. Entre nós, após esses primeiros meses de experiência com o PLE, já sentimos a sobrecarga e a dificuldade da transposição de nossas aulas presenciais para a forma remota. Não é uma operação simples, e para aqueles que desejam manter a qualidade de seu trabalho, o esforço é bastante significativo. Mas ao mesmo tempo, esse longo e tortuoso processo, que nenhum de nós escolheu viver, mas que a fatalidade fez com que atravessasse o nosso caminho, poderá nos obrigar a debates que há muito estavam adormecidos e que hoje reclamam respostas mais consistentes. Quais são os ganhos que as ferramentas tecnológicas podem oferecer para o processo de formação dos nossos estudantes? Como poderemos nos apropriar de forma o mais construtiva possível de tudo isso? Como essas experiências poderão repercutir no nosso trabalho presencial?

Estamos apenas iniciando uma longa caminhada a respeito dessas questões. Há um complexo e diversificado universo de questões que estão a exigir de nós melhores respostas. Há uma pauta clara de reivindicações nacionais que precisam ser encaminhadas, pois não é possível que tenhamos que arcar com todos os custos dessas atividades. No âmbito da UFRJ, ainda será preciso definir como todo esse período irá impactar a avaliação de desempenho e as nossas promoções e progressões. E a carga horária, como será computada? E as pessoas – em sua maioria as mulheres – que se desdobram no cuidado de familiares, especialmente as crianças que estão em casa, também privadas das suas atividades escolares? Como estão sendo os processos de avaliação?

Enfim, não poderemos nem mesmo nos dar ao luxo de fazermos uma pausa para o balanço. Vamos seguindo com a imagem que também já virou lugar comum nessa pandemia: estamos trocando o pneu com o carro andando, ou consertando o avião em pleno voo. Recolhemos um pouco do que fizemos até agora, que aliás foi bastante. Na verdade, foi o possível, mas o momento é de tal gravidade que reconhecemos que não foi tudo que precisávamos fazer... É certo que podemos fazer ainda mais, mas dependemos que isso seja uma decisão de todos. A rigor, esse balanço tem um único objetivo, que é ressaltar o quanto ainda poderemos fazer. E o quanto ainda precisamos da AdUFRJ presente na vida da universidade. Contamos com a participação de todos!

Topo