facebook 19
twitter 19
andes3

WhatsApp Image 2020 09 14 at 08.25.09Um rico e descontraído passeio pela história da universidade. Assim transcorreu o último Tamo Junto, bate-papo virtual realizado pela AdUFRJ todas as sextas-feiras. Na edição especial do dia 4, o professor Hélio de Mattos Alves, da Faculdade de Farmácia, ficou responsável por apontar fatos e curiosidades na trajetória da mais antiga instituição federal de educação superior do país.
Seria difícil encontrar um “guia” mais preparado. Hélio, que se graduou em 1981 pela própria Farmácia e ocupou o cargo de prefeito universitário por sete anos (de 2004 a 2011), é um apaixonado pela UFRJ.
A viagem pelo tempo remontou aos primeiros cursos superiores instalados no país, após a chegada da Corte Portuguesa ao Brasil, em 1808. “Quando chegou aqui, Dom João VI montou uma estrutura de poder”, disse Hélio. “Ele precisava de médicos para cuidar da corte, engenheiros para construir casas e artilharia para armas, além de advogados para fazer as leis da colônia. Essas eram as três grandes escolas isoladas que existiam”, lembrou. Desse aparato também fazia parte a Escola Real de Belas Artes, fundada em 1816. “Dom João trouxe os melhores pintores para o Brasil, botânicos e gente de todas as ciências. As nossas unidades isoladas existiam para servir à Corte”, explicou Hélio.
Com a República, veio o decreto do presidente Epitácio Pessoa em 1920, que reuniu os cursos de Medicina, Engenharia e Direito para formar a então denominada Universidade do Rio de Janeiro. Mas o improviso era grande. Não havia sequer um prédio oficial para a reitoria. “O gabinete dos reitores era onde eles trabalhavam. As salas dos catedráticos eram verdadeiros palácios, gabinetes de primeira linha. Se o reitor fosse da Faculdade de Medicina, a reitoria era lá, se fosse professor da FND, a reitoria era lá”, contou Hélio.
A gestão de Pedro Calmon, reitor de 1948 a 1950 e de 1951 a 1966, mudou essa realidade. “Ele não era ligado muito organicamente à universidade. Por isso, ganhou uma salinha na Rua do Ouvidor”, afirmou Hélio. Descontente com o pequeno espaço que lhe reservaram no Centro, o novo reitor enxergou uma oportunidade no então abandonado hospital psiquiátrico Pedro II, na Praia Vermelha, entregue à universidade poucos anos antes. “Fez uma obra luxuosa e levou a primeira faculdade para lá, a Escola de Educação Física, e também a nova reitoria”, lembrou o professor, sobre o atual Palácio Universitário.     
A criação do campus da Cidade Universitária não passou em branco na apresentação do professor ao Tamo Junto. Para Hélio, existe um mito de que a UFRJ se mudou para um espaço mais distante do Centro para isolar os estudantes, durante o regime militar. “Eu, como estudante nos anos 70, digo que a efervescência política da Ilha do Fundão no período foi intensa e preponderante”, destacou.

 FUNDAÇÃO DA ADUFRJ
 Basta ver o exemplo do movimento docente. A AdUFRJ foi fundada em 1979, basicamente por professores do Fundão, disse Hélio. “Quem aglutinou os professores da UFRJ foi a AdUFRJ. A criação do sindicato e as greves permitiram que a gente se conhecesse”, relembrou. “Foi o fator essencial para os professores saberem mais um sobre o outro, já que a gente é muito fragmentado”, afirmou.
Hélio considerou um marco do centenário a reitoria ser ocupada pela professora Denise. “As mulheres nunca tiveram muito espaço na UFRJ. Não tivemos muitas mulheres catedráticas, o que equivale hoje a ser professora titular. Passaram 100 anos para termos a primeira mulher reitora da universidade. É a marca dos novos tempos, as mulheres cada vez mais ocupam o espaço da Ciência”.

Topo