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06WEB menor1134O coletivo FORMAS (Fórum de Mobilização e Ação Solidária da UFRJ) se reuniu com a reitoria no dia 22 de junho. O objetivo do encontro, organizado por meio virtual, foi discutir questões e dúvidas relacionadas ao ensino e ao trabalho remotos e apresentar as reivindicações das diversas categorias. Além de tentar organizar uma grande plenária aberta a toda a comunidade acadêmica.
A presidente da AdUFRJ, Eleonora Ziller, abriu a reunião em nome das entidades do Fórum defendendo a necessidade de construir um evento do qual pudessem participar estudantes, professores, técnicos, terceirizados e a administração central da universidade. A ideia é a defesa da instituição contra ataques do governo federal e a reafirmação da democracia no país. “A unidade interna é um ponto fundamental. Nosso inimigo já está declarado, e não está dentro da universidade”.
Sobre as demandas do movimento docente, Eleonora afirmou que apesar das diferenças, próprias entre sindicato e reitoria, a administração central sempre esteve aberta a ouvir as solicitações e sugestões dos professores da universidade. “O diálogo tem sido excelente, mas de modo geral, se percebe que a implantação do que é acordado ainda encontra muitos entraves e controvérsias”.
O Sintufrj cobrou da reitora Denise Pires de Carvalho, presente à reunião, o compromisso com decisões firmadas em parceria com as representações da universidade. “Embora sejam construídas de maneira democrática e dialógica, na hora da execução, muitas propostas acabam se perdendo”, afirmou a diretora Joana de Angelis. Ela citou como exemplo a nota da Procuradoria da UFRJ, encaminhada às unidades no dia 18, sobre trabalho remoto. O documento acaba contrariando a Resolução criada no Conselho Universitário e levou unidades a chamarem servidores ao retorno das atividades presenciais. A dirigente classificou a situação como “desrespeito a deliberações e instâncias”, algo que, segundo Joana, “fragiliza muito” a instituição.
Dirigentes da Associação dos terceirizados, a Attufrj, Robson de Carvalho e Luciana Calixto solicitaram maior engajamento das entidades e da reitoria na proteção dos funcionários das empresas terceirizadas. Esses trabalhadores vêm sendo sistematicamente demitidos na pandemia. O próprio Robson afirmou ser assediado moralmente desde que integrou a diretoria da associação. “Venho sendo perseguido pela empresa por conta da minha representação na Attufrj e agora fui demitido”.
Os estudantes, tanto de graduação quanto de pós-graduação, explicitaram a posição favorável às aulas remotas desde que a instituição dê condições para todos acompanharem as atividades pela internet. “Não podemos mais normalizar a ideia de que uma parte dos estudantes vai ter que escolher ficar para trás”, disse Juliana Paiva, do DCE Mário Prata.
A reitora centrou sua fala na defesa da democracia e da universidade. “O Estado democrático de direito foi ferido mortalmente e o que a gente está vendo é o afastamento dos preceitos democráticos”, afirmou a professora Denise. A UFRJ foi pioneira no movimento para adiar o Enem e também lançou nota em conjunto com as instituições federais e estaduais do Rio de Janeiro exigindo autonomia para decidirem o melhor momento de retomar as atividades presenciais, baseadas em critérios científicos. Coincidência ou não, o resultado do edital da Capes para a pós-graduação não contemplou nenhuma universidade pública do Rio de Janeiro. “Mas não vamos dar nenhum passo atrás. Estamos lutando pela universidade pública”.
O vice-reitor Carlos Frederico Leão Rocha elogiou a iniciativa do FORMAS. “Esse fórum é muito importante. O maior ganho é entender os desejos e os limites de cada uma das partes e construir caminhos possíveis”. Ele afirmou que a reitoria sempre atuou para proteger a saúde de seu corpo social, a população do Rio de Janeiro e a universidade.
Apesar das divergências internas, o encontro foi um esforço de construção da unidade. “Nós representamos os professores e sentimos que estamos ainda muito divididos. Há quem defenda começar logo as atividades remotas, há quem defenda garantir condições para todos antes que se decida e até mesmo há quem defenda não voltar às aulas enquanto durar a pandemia e não for possível o ensino presencial. Temos uma série de tensões, argumentos e contra-argumentos em todas essas posições e é preciso o exercício de ouvir a todos e construir um caminho que dialogue com esses posicionamentos”, concluiu Eleonora.

O FORMAS é organizado pela AdUFRJ, Sintufrj, Attufrj e pelas entidades estudantis da UFRJ, DCE e APG.

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