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WEB P5 1128Ventilador pulmonar desenvolvido por pesquisadores da Coppe será testado em pacientes do Hospital Universitário - Foto: DivulgaçãoAs universidades públicas brasileiras estão dando um show de competência e comprometimento social no combate ao coronavírus. A Associação Nacional de Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes) realizou uma pesquisa para medir o impacto das ações da comunidade acadêmica em relação ao surto de Covid-19. Os números impressionam e mostram que os pesquisadores não estão parados. Ao contrário, a suspensão das atividades presenciais de ensino e extensão abriu espaço para a realização de ações voltadas à pandemia. Foram produzidos 992,8 mil litros de álcool em gel; 912 mil litros de álcool líquido; 162,9 mil protetores faciais; 85 mil máscaras; 692 campanhas educativas; 341 ações solidárias junto a favelas e periferias.
Há, ainda, 823 pesquisas em andamento com diferentes focos de atuação: estudo do genoma do vírus; estudo de medicamentos já existentes para o tratamento da Covid-19; desenvolvimento de vacina; elaboração de testes mais baratos e rápidos; criação de modelos de respiradores mais baratos; realização de testes moleculares, entre outros. Participaram deste primeiro levantamento 46 universidades federais, dentre as quais a UFRJ.
Os hospitais universitários também colaboram para desafogar o SUS. Até o momento, foram disponibilizados 489 leitos de UTI e 2.228 leitos de enfermaria para o tratamento da doença. “É fundamental a integração dos hospitais universitários ao SUS, porque somos um sistema de alta complexidade, que trata de doenças importantes que não deixam de existir na pandemia. Além de atuar com leitos específicos, há este público que não pode deixar de ser atendido”, pontuou o reitor Antonio Claudio da Nóbrega, da UFF.
Os dados foram apresentados durante coletiva de imprensa virtual da Andifes, dia 11. A reitora da federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre, Lucia Pellanda, afirmou que as informações são uma mostra de como os pesquisadores brasileiros estão organizados. “As ações destacam o protagonismo das universidades federais e mostram a importância do investimento em pesquisa a longo prazo”.
Algumas das iniciativas contaram com apoio da Secretaria de Ensino Superior do MEC, por meio de chamada pública que destinou R$ 180 milhões para pesquisas sobre a Covid-19. Apesar do incentivo pontual, a realidade das instituições é de descaso e corte de verbas. “Teríamos um conjunto de medidas muito mais robusto, se não houvesse um déficit de investimentos”, afirmou João Carlos Salles, presidente da Andifes e reitor da UFBA.
Diante da falta de testes, também tem sido papel da academia conhecer a real curva de contágio do coronavírus no Brasil. “As informações epidemiológicas são dependentes de testagens. Por isso, muitas universidades estão mobilizadas para entendermos o real impacto da pandemia para pensarmos em cenários futuros”, explicou o reitor Antonio Claudio da Nóbrega.
Entre esses cenários, estaria o retorno às atividades presenciais. “Todos os indicadores mostram que ainda estamos longe disso, mas a Andifes precisa se antecipar para propor condições de retorno à normalidade com segurança, considerando todas as particularidades regionais e com base na ciência”, afirmou o dirigente.

UFRJ em múltiplas frentes
A UFRJ é um dos espelhos mais fiéis do levantamento feito pela Andifes. A universidade se dividiu em ações em todas as frentes apresentadas pela associação de reitores. Uma verdadeira linha de produção foi montada em laboratórios da Coppe, da Escola Politécnica e do CCS para produção de equipamentos de proteção individual, álcool 70° e respiradores.
“Os primeiros respiradores já estão sendo testados com sucesso e aguardam autorização da Anvisa para testes em humanos”, revelou a reitora Denise Pires de Carvalho. Os equipamentos foram desenvolvidos por pesquisadores do Programa de Engenharia Biomédica da Coppe e serão testados em pacientes do Hospital Clementino Fraga Filho. Na semana passada, deputados estaduais aprovaram a destinação de R$ 5 milhões para a UFRJ aplicar na fabricação de mil respiradores.
Também saiu da Coppe um modelo para prever o pico da doença no Brasil. O trabalho introduz casos não confirmados e avalia os impactos de diferentes intervenções de saúde pública. O estudo foi publicado no site MedRxiv, no final de março, e será publicado em número especial da revista Biology, neste mês de maio.
Outros laboratórios atuam desenvolvendo tipos de testes sorológicos rápidos de baixo custo para diagnóstico da Covid-19. Os testes moleculares – aqueles que utilizam amostras das vias aéreas do indivíduo – são realizados pelo Laboratório de Virologia Molecular, do Instituto de Biologia. “Desde o dia 16 de março, nós realizamos mais de 3 mil exames em profissionais da área de saúde. E nosso hospital está dividido em duas áreas: Covid e não-Covid. Nosso gargalo no momento ainda é a contratação de novos profissionais, mas acredito que em até duas semanas teremos todos os leitos abertos”, esclareceu Denise.

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