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WEBMENORCOTAVUNIDADES querem mais que o dobro das vagas docentes disponíveis - Foto: Fernando Souza/Arquivo AdufrjA primeira distribuição de concursos docentes da reitoria Denise Pires de Carvalho será desafiadora. São apenas 122 vagas, enquanto as unidades reivindicam aproximadamente 270 professores, informa o vice-reitor Carlos Frederico Leão Rocha. A maior parte repõe aposentadorias.
Do montante total, serão distribuídas 109 vagas pela Comissão Temporária de Alocação de Vagas (Cotav). A Administração Central afirmou que vai destinar as 13 vagas da reserva técnica da reitoria para o campus Macaé. “Especialmente à Medicina”, destacou o vice-reitor.
O curso de Medicina macaense entrou no radar dos concursos urgentes, após os protestos na sessão do Consuni realizada dia 24 em Macaé. Há um problema crônico para fixar os professores na região. À Cotav, foram solicitadas 20 vagas. “Fomos perdendo professores ao longo do tempo. Muitos foram para outras instituições. E estas vagas não foram repostas”, indica a diretora do campus, Roberta Coutinho.
De acordo com a docente, a crise administrativa é contornada graças ao apoio da prefeitura local. “Mas é claro que o compromisso de um professor convidado para dar uma aula não é o mesmo de um professor da casa”, diz.
As reuniões da Cotav são diárias desde o início dos trabalhos, em 22 de outubro. A previsão é concluir o cruzamento de informações fornecidas pelas unidades, com dados do SIGA e da Pró-reitoria de Pessoal (PR-4) até o final desta semana. Em seguida, começa a discussão da alocação. A expectativa é fechar uma proposta até o feriado do dia 15. Depois, o calendário depende de uma reunião conjunta entre o Conselho de Ensino de Graduação (CEG) e o Conselho de Ensino para Graduados (CEPG) para bater o martelo. E um Consuni para referendar o trabalho.

DEMANDA REPRIMIDA
A briga pelas vagas para concurso não é uma novidade. “Os professores são o principal ativo da universidade, mais importante que qualquer patrimônio”, justifica a diretora da Escola Politécnica, professora Cláudia Morgado. Com seus cinco mil estudantes, a Poli apresentou uma demanda por 40 vagas. Outra gigante da UFRJ (4,5 mil alunos), a Faculdade de Letras pediu 25.
Entre as principais justificativas, as unidades destacam as aposentadorias, perdas para outras instituições ou localidades. Outros argumentos fortes dizem respeito à sobrecarga das turmas ou excesso de professores substitutos. Há ainda queixa pelos pedidos não atendidos na mais recente Cotav (2017). À época, a Medicina do Fundão só conseguiu 21 das 49 vagas solicitadas. O resultado é uma demanda reprimida, em 2019, por 60 professores.
As Engenharias conseguiram 19 concursos dos 25 requeridos na rodada de 2017. De acordo com a diretora da unidade, Cláudia Morgado, o passivo soma-se ao envelhecimento da categoria: “Estamos com um quadro parecido com o da Faculdade Nacional de Direito (FND) há alguns anos. Nossos professores estão sobrecarregados. Temos turmas de cem alunos com professores utilizando microfone. Não estávamos assim”.
Na visão de Morgado, quanto menos frequentes os concursos, mais complicada fica a matemática. “As entressafras muito grandes fazem a gente perder bons doutores. Por outro lado, nem sempre é conveniente abrir mais de uma vaga e ter um docente que não traz novidade”, argumenta.
A diretora da Faculdade de Letras, professora Sônia Reis, fala de problemas similares. Nos próximos cinco anos, a unidade perderá 15 docentes pelo mecanismo da “expulsória”, a aposentadoria obrigatória a partir dos 75 anos. As vacâncias desde a última Cotav somam 25 perdas, sendo 23 para aposentadoria.
A docente aponta duas consequências da falta de uma política mais permanente de concursos: uma lacuna geracional e uma maior dependência de contratações temporárias. Para 2020, a Letras solicitou 45 professores substitutos. A administração acenou com 35. E agora o processo está em recurso.
Turmas lotadas representam mais do que a sobrecarga de trabalho para os docentes da Letras. “Temos uma recomendação de segurança dos Bombeiros de que as salas tenham no máximo 45 pessoas”, diz a diretora. “Nossos corredores são estreitos e temos alunos cadeirantes. Eventuais turmas com 80 alunos seriam um grande risco”.

CRITÉRIOS
Os critérios adotados pela Cotav 2019 repetem os parâmetros dos últimos anos, incorporando especificidades recomendadas pela comissão anterior. O número de alunos matriculados tem peso, mas não é tudo. O total de concursos bem sucedidos também conta.

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